Uma reflexão acerca da busca por recursos

11 fev

Este post foi escrito durante momentos de reflexão, em uma viagem, quando sobrevoava a cidade do Rio de Janeiro.

Vendo a cidade de cima, pode-se ter uma noção maior do que é a ação humana no planeta, e as dimensões que a procura por recursos e espaço pode tomar. Gostaria de descrever minha sensação na hora em que o avião descia para pousar no Rio.

Primeiramente, percebi que o visual que eu via pela janela da aeronave passou do branco das nuvens pro azul do mar e em seguida para o cinza da cidade. Me impressionou a capacidade do homem em modificar o ambiente local para possibilitar a concretização de seus projetos de engenharia. Primeiro cito a retilinização dos rios que passam pela cidade. São como longas flechas que cortam o território e servem exclusivamente às necessidades desse aglomerado de animais exóticos, intrusos, que não fazem parte da natureza que por ali reinava até a sua chegada. Foi incrível observar a coloração dos rios, negros, e a mancha que deixavam na lagoa verde na qual desaguavam. Outra ferida exposta da Terra, causada por seus filhos, são as escavações dos morros para a construção civil. Vi um buraco cavado em uma encosta (lembrei da Thai contando o que sentiu quando viu as escavações da mineração em MG) que deveria corresponder a um condomínio de no mínimo, muitos prédios. Isso me faz pensar que: se mais pessoas vão morar naquele lugar, precisarão de água, coleta e tratamento adequado dos seus dejetos, mobilidade que as permitam percorrer as distâncias entre casa, trabalho, lazer, etc. Agora eu pergunto:  de onde vêm todas essas provisões? Da onde vem a água limpa, dentro dos parâmetros de potabilidade, pra onde vão os dejetos resultantes da degradação dessa água limpa, além daqueles que, depois de ser petróleo, plástico e outras coisas mais, se tornam lixo. Pra onde vai todo esse lixo depois que o jogamos fora? Onde é o “fora”?  E sobre a mobilidade? Uma rua projetada para atender à demanda de 200 famílias, suportará agora servir de caminho para 400, com a mesma cultura que temos de utilizar 1 carro/pessoa? Mais uma coisa da qual tive, literalmente, uma outra visão, foi uma lagoa degradada. Quando estávamos quase pousando, passamos bem pertinho de uma lagoa… era nítida a poluição, tanto por água contaminada quanto por resíduos sólidos, me doeu o coração quando pensei  que ali há vida! vida que vivia harmoniosamente até receber esse aporte lixo. Lixo esse que é nosso! Essa reflexão me levou à consciência de como faltamos com respeito para com nosso planeta Terra, que nos dá tudo o que temos, tudo o precisamos para viver. O que mais poderíamos querer?

Essa lógica linear do modelo de vida atual, o qual seguem a maioria, senão todas as pessoas do mundo poderá ser seguido até quando? Talvez até o dia em que o congestionamento for tanto, que as pessoas deixarão seus carros, seus pertences, seus documentos, e partirão desorientados, quando perceberem  que fazem parte de um todo, o qual vêm destruindo, conscientemente ou não, desde que nasceu.

Venho pensando em muitas coisas com isso, principalmente sobre esse sentimento de filiação com a Terra. Acredito que não haja pior sentimento que o de desrespeitar a mãe, até que ela, exausta, faleça sem que você possa fazer nada, nem mesmo se desculpe caso tenha se conscientizado do mal que a tenha feito.

PRIMEIRO DIA NO CERRADO

Chegando em Goiânia, o avião passou por uma leve turbulência por causa das nuvens que haviam sobre a cidade. Eram nuvens de grande volume e que me fizeram refletir sobre um outro aspecto de pertinência dos humanos à Terra: a água no planeta como uma molécula constituinte de todos os seres vivos e ecossistemas, reguladora do clima planetário e constante em quantidade, porém não em qualidade. Tive a sensação de que cada molécula de água daquela nuvem era igual às moléculas de água da minha saliva, do meu sangue, enfim, do meu organismo. Senti como se alguma daquelas moléculas pudessem, em outros tempos, ter feito parte de mim ou de algum outro ser humano e agora estavam lá formando uma nuvem que em poucos minutos se precipitaria sobre as plantações que rodeiam aquela cidade no meio do cerrado.

Sintetizando essas reflexões, nós, humanos, somos parte integrante do planeta. Somos feitos das mesmas moléculas que as árvores, as montanhas, os animais, e que são renovadas de tempos em tempos, num ciclo dinâmico e sustentável. A natureza é sustentável e para conviver e usufruir dela, precisamos fazer isso da mesma forma.

Por Yam Castelfranchi

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